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Texto 3 – De 05 até 11/05/2008

A Teoria Sócio-interacionista de Vygotsky

 

No processo de aprendizagem, existem os seguintes elementos centrais: o aluno, o professor e a situação de aprendizagem. Por isso é importante: compreender o modo como as pessoas aprendem, saber quais as condições necessárias para a aprendizagem e, principalmente, identificar qual é o papel do professor nesse processo. As teorias sobre a aprendizagem são importantes porque possibilita ao professor a aquisição de conhecimentos, atitudes e habilidades que lhe permitirão alcançar melhor os objetivos do ensino.

Já vimos que os processos mentais elementares correspondem ao estágio de inteligência sensório-motora de Piaget e são resultantes do capital genético da espécie, da maturação biológica e da experiência do aprendiz com seu ambiente físico.

As funções psicológicas superiores, de acordo com Vygotsky, são construídas ao longo da história social do homem. Seu desenvolvimento depende do meio social, que é essencialmente semiótico. Aprendizado e desenvolvimento interagem de forma que um acelere ou complete o outro.

As pessoas se desenvolvem e aprendem na sua relação com o mundo, mediada pelos instrumentos e símbolos desenvolvidos culturalmente, que faz com que o homem se distinga dos outros animais nas suas formas de agir no e com o mundo. Vygotsky defende a teoria do desenvolvimento dos processos mentais superiores baseada em três princípios fundamentais, totalmente interdependentes.

Em primeiro lugar está a relação entre educação, aprendizagem e desenvolvimento. Já o papel da mediação social nas relações entre o indivíduo e seu ambiente (mediado pelas ferramentas) e nas atividades psíquicas intra-individuais (mediadas pelos signos) em segundo lugar. E em terceiro lugar está a passagem entre o inter-psíquico e o intra-psíquico das situações de comunicação social. Nessa teoria, o desenvolvimento resulta na zona de desenvolvimento proximal (ZDP).

A ZDP compreende a diferença entre o desenvolvimento efetivo e o desenvolvimento potencial.

No desenvolvimento efetivo, o sujeito consegue resolver problemas sozinho, sem qualquer auxílio de outra pessoa ou mediadores externos. No desenvolvimento potencial, o sujeito torna-se capaz de resolver problemas, mas com o auxílio de outras pessoas ou instrumentos mediadores externos tais como um professor, pais, colegas, etc.

Vygotsky afirma que o homem não age direto sobre a natureza. Ele faz uso de dois tipos de instrumentos em função do tipo de atividade que a torna possível, considerando o mais simples instrumento a mediação por “ferramenta” que são elaboradas por gerações anteriores. Elas atuam sobre o estímulo, modificando-o. A ferramenta transforma a atividade.

O outro tipo de instrumento mediador são os “sinais” ou símbolos, que medeiam as ações do sujeito. O sistema de sinais mais comum é a linguagem falada. O sinal modifica o sujeito que dele faz uso como mediador. O sinal atua sobre a interação do sujeito com o seu meio.

A ferramenta serve de condutora da influência humana na resolução da atividade, provoca mudanças no objeto. O sinal é um meio da atividade física interna e encontra-se orientado internamente. Ele muda o sujeito e o sujeito muda o objeto.

A função do professor é a de orientar de forma ativa e servir de guia para o aluno, de forma a oferecer apoio cognitivo. O professor deve ser capaz de ajudá-lo a entender um determinado assunto e, ao mesmo tempo, relacioná-lo ao conteúdo com experiências pessoais e o contexto no qual o conhecimento será aplicado. Ele deve também interferir na zona de desenvolvimento proximal de cada aluno, provocando avanços não ocorridos espontaneamente por este aluno.

Várias atividades devem ser oferecidas e devem ser flexíveis, permitindo ajustes no Plano de Aula. A intervenção por parte do professor é fundamental para o desenvolvimento do aluno. Ele deve intervir, questionando as respostas do aluno, para observar como a interferência de outro sujeito atinge seu desenvolvimento e observar os processos psicológicos em transformação e não apenas os resultados do desempenho do aluno.

Comentários»

1. Maurício Gonçalves Saliba - Maio 6, 2008

Podemos dizer que Vygotsky chegou a resultados bem diferentes de Piaget. Segundo ele, o desenvolvimento intelectual se realiza pela mediação de instrumentos e de signos e está fortemente embasado nas relações do indivíduo com o seu ambiente sócio-cultural, além de que não se realiza plenamente sem o suporte de outros indivíduos de sua espécie. Utilizarei nesse comentário um artigo que estou elaborando com outro professor (Péricles Novaes Pinheiro) que faz uma análise das duas teorias:
“O desenvolvimento, dessa forma, depende dos instrumentos, dos estímulos do ambiente e do sistema de signos socialmente utilizados pelas pessoas, do qual faz parte o idioma que falam. Não basta, portanto, galgar patamares etários fixos para atingir estágios mais evoluídos de processos cerebrais. Eis porque Piaget é tão difundido no ocidente, ao passo que Vygotsky foi praticamente solapado. Piaget convém ao Estado Capitalista tanto quanto a ética protestante (Max Weber). Se uma criança fracassa no processo de sua escolarização, fenômeno alarmante no Brasil, um piagetiano dirá que a culpa é dela própria, por não ter se desenvolvido adequadamente segundo sua faixa etária. Assim, exime-se o Estado de suas responsabilidades por não ter-lhe proporcionado boas condições sócio-culturais e ambiente saudável ao seu desenvolvimento e ao domínio da linguagem, condições estas que Vygotsky, com razão, considera fundamentais e necessárias”.

2. Eunice Corrêa Sanches Belloti - Maio 6, 2008

Os três elementos do processo de aprendizagem (aluno, professor e situação de aprendizagem) devem estar em sintonia para que ocorra a plenitude do conhecimento, que envolve a relação social e cultural do aluno.
Vygotsky é impar ao apresentar a ZDP e mostrar a diferença entre o desenvolvimento efetivo e o desenvolvimento potencial, sendo que o professor com sua função de orientação, é o interventor da ZDP, pode e deve fazer a diferença para o aluno e seu crescimento. Contudo, o ambiente é determinante para esse crescimento, ele está diretamente voltado ao desenvolvimento cognitivo do aluno.

3. Sergio Castilho - Maio 7, 2008

Alguém poderia me explicar esta frase: “E em terceiro lugar está a passagem entre o inter-psíquico e o intra-psíquico das situações de comunicação social.”

No texto:

-No desenvolvimento efetivo, o sujeito consegue resolver problemas sozinhos
-No desenvolvimento potencial, o sujeito torna-se capaz de resolver problemas, mas com o auxílio de outras pessoas.

Seria lógico afirmar que todos os formandos, ou a grande maioria, deveriam se encaixar no grupo do desenvolvimento efetivo?
Para resolver um problema é necessário ter um senso crítico e conhecer o mesmo (estuda-lo a fundo), quem sabe até criar novas ferramentas de modo a alterar o meio, qual o perfil do profissional com esta capacidade?
Mais ainda, como aumentar o “potencial” de um aluno do ensino médio estadual de modo a transforma-lo em um profissional “efetivo”?

4. Rafael Lourenço - Maio 10, 2008

Podemos perceber que a teoria de Vygotsky, concebe o desenvolvimento humano a partir de relações sociais que a pessoa passa ao longo de sua vida. Nesse sentido, o processo de ensino-aprendizagem também se constitui dentro de interações que vão se dando nos diversos contextos sociais.
A sala de aula deve ser considerada um lugar de sistematização do conhecimento e a função do professor é de articular a construção do saber. Afinal “A intervenção por parte do professor é fundamental para o desenvolvimento do aluno”.

5. DONIZETI APARECIDO MELLO - Maio 12, 2008

Como sabemos, o ponto central da discussão é o ensino e a aprendizagem do ponto de vista da teoria formulada por Vygotsky. Para Vygotsky a zona de desenvolmento proximal (ZDP) está ligada ao processo de ensino que é de competência do professor, já que o aluno possui a zona de desenvolvimento real (ZDR), ou seja, o que ele já traz consigo mesmo antes de entrar em uma sala de aula. De acordo com essa teoria cabe ao professor possibilitar ao aluno que a ZDR seja atualizada constantemente, ou seja, a cada novo conhecimento obtido em sala de aula, a sua ZDP é aumentada, porque aumenta o grau de conhecimento do aluno. Na minha opinião é muito importante que o professor atue especialmente nesta etapa de transição da ZDP para ZDR.


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