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Texto 2 – De 28/04 até 04/05/2008

Teorias da Aprendizagem – Piaget

 

Após o texto sobre o ensino, que de acordo com as reflexões do André deve propor um equilíbrio para o binômio ensinagem-aprendizagem, é interessante aprofundar nossas reflexões sobre cada elemento do processo, portanto o curso inclui algumas das mais importantes Teorias da Aprendizagem e Desenvolvimento Cognitivo. Para revisão desse importante campo do conhecimento, iniciamos com a Epistemologia Genética de Jean Piaget.

Piaget não elaborou uma teoria da aprendizagem, mas sim uma teoria do desenvolvimento mental. Para ele a aprendizagem é “aumento do conhecimento”- só há aprendizagem quando o esquema de assimilação sofre acomodação. Ou seja: uma reestruturação da estrutura cognitiva (esquemas de assimilação existentes) do indivíduo, o que resulta em novos esquemas de assimilação mental.

O conceito de estrutura cognitiva é central para a teoria de Piaget. Estruturas cognitivas são padrões de ação física e mental subjacentes a atos específicos de inteligência e correspondem a estágios do desenvolvimento infantil. Existem quatro estruturas cognitivas primárias – estágios de desenvolvimento – de acordo com Piaget: sensorial-motor, pré-operações, operações concretas e operações formais. No estágio sensorial-motor (0-2 anos), a inteligência assume a forma de ações motoras. A inteligência no período pré-operação (3-7 anos) é de natureza intuitiva. A estrutura cognitiva durante o estágio de operações concretas (8-11 anos) é lógica, mas depende de referências concretas. No estágio final de operações formais (12-15 anos), pensar envolve abstrações.

As estruturas cognitivas mudam através dos processos de adaptação: assimilação e acomodação. A assimilação envolve a interpretação de eventos em termos de estruturas cognitivas existentes, enquanto que a acomodação se refere à mudança da estrutura cognitiva para compreender o meio. O desenvolvimento cognitivo consiste de um esforço constante para se adaptar ao meio em termos de assimilação e acomodação.

Embora os estágios de desenvolvimento cognitivo identificados por Piaget estejam associados a faixas de idade, eles variam para cada indivíduo. Além disso, cada estágio tem diversas formas estruturais detalhadas. Basta observar que o período operacional concreto tem mais de quarenta estruturas distintas, cobrindo classificação e relações, relações espaciais, tempo, movimento, oportunidade, número, conservação e medida.

Piaget explorou as implicações de sua teoria em todos os aspectos do desenvolvimento da cognição, inteligência e moral. Muitos dos experimentos de Piaget foram focalizados no desenvolvimento de conceitos matemáticos e lógicos.

O desenvolvimento cognitivo tem como facilitador atividades ou situações que envolvam os aprendizes e que requeiram adaptação destes. Os materiais de aprendizado e atividades devem envolver um nível apropriado de operações motoras ou mentais para uma criança de uma dada idade. É preciso evitar o pedido para que os aprendizes realizem tarefas que estejam além de suas capacidades cognitivas atuais.

O ensino dos fatos deve ser substituído pelo ensino de relações, desenvolvendo a inteligência, uma vez que a inteligência é um mecanismo de fazer relações. Nessa abordagem o ensino deve estar baseado em proposições de problemas. É necessário, então, que se considere o “aprender a aprender”.

O professor tem como função criar situações que propiciam condições que possam estabelecer reciprocidade intelectual e cooperação ao mesmo tempo moral e racional. Ele deve evitar a rotina, e a fixação de respostas e hábitos.

Ele deve também propor problemas ao aluno, sem que lhes ensine a solução. Deve provocar desequilíbrios, desafios, mas para tanto é importante que conheça o aluno. A orientação, a autonomia e a ampla margem de autocontrole aos alunos devem ser concedidas pelo professor.

O professor deve assumir o papel de mediador, investigador, pesquisador, orientador e coordenador. É necessária sua convivência com os alunos para observar os seus comportamentos, promovendo diálogos com eles, perguntando e, sendo interrogado; realizar com os alunos suas próprias experiências para auxiliar na sua aprendizagem e desenvolvimento.

O aluno deve ser ativo e observador. Ele deve experimentar, comparar, relacionar, analisar, justapor, encaixar, levantar hipótese, argumentar, etc. Cabe ao aluno encontrar a solução dos problemas que lhes são apresentados.

Comentários»

1. Elaine Pasqualini - Abril 28, 2008

Entendo que a idéia central de Piaget está na busca de conhecimento, no qual ele pode ser obtido por meio de atividades desafiadoras para que o aluno tenha um comportamento ativo e que aprenda por suas próprias ações.
Assim, a aprendizagem deve ser descoberta pelos alunos e o professor atua como orientador.
Porém, não podemos esquecer que a aquisição do conhecimento não é somente um processo que se dá a partir da ação do sujeito sobre a realidade (aluno ativo), mas também existem outras variáveis como a situação social e o meio no qual está inserido o aluno.
Acho importante também as idéias de Ausubel. Uma delas é a aprendizagem significativa, no qual é realizada a ligação de novos conteúdos aos conhecimentos já adquiridos.

2. Eunice Corrêa Sanches Belloti - Maio 4, 2008

O aluno, como o texto afirma é um ser de vivências próprias e independentes em seu processo de aprendizagem, pois seu desenvolvimento cognitivo é único, individual e favorece ou não seu processo de aprendizagem.
Uns aprendem facilmente e outros com mais dificuldades. Realmente cabe ao professor ser o mediador da aprendizagem do aluno e concordo com o texto, que para isso precisa conhecer seu aluno muito bem, inclusive suas limitações, muitas vezes com poucas aulas na semana e muitos alunos esse conhecimento se dá de maneira muito incompleta e insatisfatória

3. Maurício Gonçalves Saliba - Maio 6, 2008

É importante lembrar que Piaget, ao realizar seus estudos, não estava preocupado exclusivamente com a alfabetização ou com o processo de aprendizagem escolar. O que se tentou foi uma transposição dos seus estudos epistemológicos aos ambientes escolares e, a partir daí, a elaboração de uma nova teoria da alfabetização. Historicamente, instalou-se um mito piagetiano com adesão irrestrita e acrítica ao “método”. Os resultados de sua implantação no Brasil, por exemplo, não foram nada animadores: Crianças mal alfabetizadas, ao final do ano letivo não dominavam ainda a leitura e a escrita e permaneciam atrasadas em relação àquelas alfabetizadas pelo método tradicional. As razões do fracasso são, novamente, óbvias: Ao estabelecer parâmetros etários europeus para o desenvolvimento intelectual, Piaget não levou em conta os condicionantes sociais e culturais do processo.

4. DONIZETI APARECIDO MELLO - Maio 12, 2008

No meu entendimento, Piaget tem como preocupação o desenvolovimento da aprendizagem no indivíduo. Defende a idéia de que a pessoa (aluno) deve aprender resolvendo problemas, desta forma nem sempre é importante ter alguém para lhe mostrar o caminho, mas “aprender a aprender”. Essa forma de entender o processo de aprendizagem pode ser prejudicial à educação quando mal utilizada, pois, o professor não pode ser ignorado, porque é uma peça fundamental para que o aluno possa se desenvolver.


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