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Texto 6 – De 26/05 até 01/06/2008

Andragogia: A Aprendizagem nos Adultos

Gilberto Teixeira, Prof. Doutor (FEA/USP)

 

Introdução 

Crianças são seres indefesos, dependentes. Precisam ser alimentados, protegidos, vestidos, banhados, auxiliados nos primeiros passos, Durante anos se acostumam a esta dependência, considerando-a como um componente normal do ambiente que as rodeia. Na idade escolar, continuam aceitando esta dependência, a autoridade do professor e a orientação deles como inquestionáveis. 

                A adolescência vai mudando este status quo. Tudo começa a ser questionado, acentuam-se as rebeldias e, na escola, a infalibilidade e autoridade do professor não é mais tão absoluta assim. Alunos querem saber por que devem aprender geografia, história ou ciências. 

                A idade adulta trás a independência. O indivíduo acumula experiências de vida, aprende com os próprios erros, apercebe-se daquilo que não sabe e o quanto este desconhecimento faz-lhe falta. Escolhe uma namorada ou esposa, escolhe uma profissão e analisa criticamente cada informação que recebe, classificando-a como útil ou inútil. 

Esta evolução, tão gritante quando descrita nestes termos, infelizmente é ignorada pelos sistemas tradicionais de ensino. Nossas escolas, nossas universidades tentam ainda ensinar a adultos com as mesmas técnicas didáticas usadas nos colégios primários ou secundários. A mesma pedagogia é usada em crianças e adultos, embora a própria origem da palavra se refira à educação e ensino das crianças (do grego paidós = criança). 

 

Apercebendo-se da Diferença 

Linderman, E.C, em 1926, pesquisando as melhores formas de educar adultos para a “American Association for Adult Education” percebeu algumas impropriedades nos métodos utilizados e escreveu: 

“Nosso sistema acadêmico se desenvolveu numa ordem inversa: assuntos e professores são os pontos de partida, e os alunos são secundários… O aluno é solicitado a se ajustar a um currículo pré-estabelecido… Grande parte do aprendizado consiste na transferência passiva para o estudante da experiência e conhecimento de outrem”.

Mais adiante oferece soluções quando afirma que: 

“nós aprendemos aquilo que nós fazemos. A experiência é o livro-texto vivo do adulto aprendiz”.

Lança assim as bases para o aprendizado centrado no estudante, e do aprendizado tipo “aprender fazendo”. Infelizmente sua percepção ficou esquecida durante muito tempo. 

A partir de 1970, Malcom Knowles trouxe à tona as idéias plantadas por Linderman. Publicou várias obras, entre elas “The Adult Learner – A Neglected Species” (1973), introduzindo e definindo o termo Andragogia – A Arte e Ciência de Orientar Adultos a Aprender. Daí em diante, muitos educadores passaram a se dedicar ao tema, surgindo ampla literatura sobre o assunto. 

 

Andragogia – A Arte e Ciência de Orientar Adultos a Aprender  

Kelvin Miller afirma que estudantes adultos retêm apenas 10% do que ouvem, após 72 horas. Entretanto serão capazes de lembrar-se de 85% do que ouvem, vêm e fazem, após o mesmo prazo. Ele observou ainda que as informações mais lembradas são aquelas recebidas nos primeiros 15 minutos de uma aula ou palestra. 

                Para melhorar estes números, faz-se necessário conhecer as peculiaridades da aprendizagem no adulto e adaptar ou criar métodos didáticos para serem usados nesta população específica. 

Segundo Knowles, à medida que as pessoas amadurecem, sofrem transformações: 

·         Passam de pessoas dependentes para indivíduos independentes, autodirecionados.

·         Acumulam experiências de vida que vão ser fundamento e substrato de seu aprendizado futuro. 

·         Seus interesses pelo aprendizado se direcionam para o desenvolvimento das habilidades que utiliza no seu papel social, na sua profissão.

·         Passam a esperar uma imediata aplicação prática do que aprendem, reduzindo seu interesse por conhecimentos a serem úteis num futuro distante. 

·         Preferem aprender para resolver problemas e desafios, mais que aprender simplesmente um assunto. 

·         Passam a apresentar motivações internas (como desejar uma promoção, sentir-se realizado por ser capaz de uma ação recém-aprendida, etc), mais intensas que motivações externas como notas em provas, por exemplo.

Partindo destes princípios, inúmeras pesquisas foram realizadas sobre o assunto. Em 1980, Brundage e MacKeracher estudaram exaustivamente a aprendizagem em adultos e identificaram trinta e seis princípios de aprendizagem, bem como as estratégias para planejar e facilitar o ensino. Wilson e Burket (1989) revisaram vários trabalhos sobre teorias de ensino e identificaram inúmeros conceitos que dão suporte aos princípios da Andragogia. Também Robinson (1992), em pesquisa por ele realizada entre estudantes secundários, comprovou vários dos princípios da Andragogia, principalmente o uso das experiências de vida e a motivação intrínseca em muitos estudantes. 

Comparando o aprendizado de crianças (pedagogia) e de adultos (andragogia), se destacam as seguintes diferenças: 

    

Características da Aprendizagem

Pedagogia

Andragogia

Relação Professor/Aluno

Professor é o centro das ações, decide o que ensinar, como ensinar e avalia a aprendizagem

A aprendizagem adquire uma característica mais centrada no aluno, na independência e na auto-gestão da aprendizagem.

Razões da Aprendizagem

Crianças (ou adultos) devem aprender o que a sociedade espera que saibam (seguindo um currículo padronizado)

Pessoas aprendem o que realmente precisam saber (aprendizagem para a aplicação prática na vida diária).

Experiência do Aluno

O ensino é didático, padronizado e a experiência do aluno tem pouco valor

A experiência é rica fonte de aprendizagem, através da discussão e da solução de problemas em grupo.

Orientação da Aprendizagem

Aprendizagem por assunto ou matéria

Aprendizagem baseada em problemas, exigindo ampla gama de conhecimentos para se chegar à solução.

 

Alguns autores já extrapolam estes princípios para a administração de recursos humanos. A capacidade de autogestão do próprio aprendizado, de auto-avaliação, de motivação intrínseca podem ser usados como bases para um programa no qual empregados assumam o comando de seu próprio desenvolvimento profissional, com enormes vantagens para as empresas. Uma gestão baseada em modelos andragógicos poderá substituir o controle burocrático e hierárquico, aumentando o comprometimento, a auto-estima, a responsabilidade e capacidade de grupos de funcionários resolverem seus problemas no trabalho. 

Aliás, os atuais métodos administrativos de Controle da Qualidade Total já prevêem e utilizam estas características dos adultos. No CQT, os funcionários são convidados para reuniões periódicas quando são discutidos os problemas nos setores e processos sob sua responsabilidade, buscadas suas causas, pesquisadas as possíveis soluções, que serão implementadas e reavaliadas posteriormente. Está aí implícita a atividade de aprendizagem, em que pessoas vão trocar idéias, buscar em suas experiências e outras fontes a construção de um novo conhecimento e a solução de problemas. O setor empresarial, sem dúvida mais ágil que o de ensino, conseguiu difundir muito mais rapidamente vários dos conceitos da andragogia, mesmo sem este rótulo estabelecido pelo mundo pedagógico. 

  

E os Universitários?

Os estudantes universitários não são exatamente adultos, mas estão próximos desta fase de suas vidas. O ensino clássico pode resultar, para muitos deles, num retardamento da maturidade, já que exige dos alunos uma total dependência dos professores e currículos estabelecidos. As iniciativas não encontram apoio, nem são estimuladas. A instituição e o professor decidem o que, quando e como os alunos devem aprender cada assunto ou habilidade. E estudantes deverão se adaptar a estas regras fixas. 

Alguns alunos sem dúvida conseguem manter seus planos e ideais, suas metas e trajetórias, reagindo contra estas imposições e buscando seus próprios caminhos. Geralmente serão penalizados por baixos conceitos e notas, já que não seguem as regras da instituição. 

Os demais se verão forçados a deixar adormecer suas iniciativas, algumas vezes marcando de forma profunda suas personalidades. Muitos permanecerão dependentes, terão dificuldades para se adaptar às condições diferentes encontradas fora das Universidades, terão sua auto-estima ferida pela percepção tardia das deficiências de seus treinamentos e poderão inclusive estar despreparados para buscar a solução para elas. 

Para evitar este lado negativo do ensino universitário, é necessário que sejam introduzidos conceitos andragógicos nos currículos e abordagens didáticas dos cursos superiores. Por estar a maioria dos Universitários na fase de transição acima mencionada, não pode haver um abandono definitivo dos métodos clássicos. Eles precisarão ainda de que lhes seja dito o que aprender e lhes seja indicado o melhor caminho a ser seguido. Mas devem ser estimulados a trabalhar em grupos, a desenvolver idéias próprias, a desenvolver um método pessoal para estudar, a aprender como utilizar de modo crítico e eficiente os meios de informação disponíveis para seu aprendizado.

 

Aplicação da Teoria Andragógica na Aprendizagem de Adultos 

Migrar do ensino clássico para os novos enfoques andragógicos é, no mínimo, trabalhoso (ninguém disse que era fácil!). O corpo docente envolvido nesta migração precisa ser bem preparado, inclusive através de programas andragógicos (afinal, são adultos em aprendizagem!). Burley (1985) enfatizou o uso de métodos andragógicos para o treinamento de educadores de adultos. 

O professor precisa se transformar num tutor eficiente de atividades de grupos, devendo demonstrar a importância prática do assunto a ser estudado, teve transmitir o entusiasmo pelo aprendizado, a sensação de que aquele conhecimento fará diferença na vida dos alunos; ele deve transmitir força e esperança, a sensação de que aquela atividade está mudando a vida de todos e não simplesmente preenchendo espaços em seus cérebros. 

As características de aprendizagem dos adultos devem ser exploradas através de abordagens e métodos apropriados, produzindo uma maior eficiência das atividades educativas. 

 

Tirando proveito da Experiência Acumulada pelos Alunos

Os adultos têm experiências de vida mais numerosas e mais diversificadas que as crianças. Isto significa que, quando formam grupos, estes são mais heterogêneos em conhecimentos, necessidades, interesses e objetivos. Por outro lado, uma rica fonte de consulta estará presente no somatório das experiências dos participantes. Esta fonte poderá ser explorada através de métodos experienciais (que exijam o uso das experiências dos participantes), como discussões de grupo, exercícios de simulação, aprendizagem baseada em problemas e discussões de casos. Estas atividades permitem o compartilhamento dos conhecimentos já existentes para alguns, além de reforçar a auto-estima do grupo. Certa tendência à acomodação, com fechamento da mente do grupo para novas idéias deverá ser quebrada pelo professor, propondo discussões e problemas que produzam conflitos intelectuais, a serem debatidos com mais ardor. 

Propondo Problemas, Novos Conhecimentos e Situações sincronizadas com a Vida Real

Os adultos vivem a realidade do dia-a-dia. Portanto, estão sempre propensos a aprender algo que contribua para suas atividades profissionais ou para resolver problemas reais. O mesmo é verdade quando novas habilidades, valores e atitudes estiverem conectados com situações da vida real. Os métodos de discussão de grupo, aprendizagem baseada em problemas ou em casos reais novamente terão utilidade, sendo esta mais uma justificativa para sua eficiente utilização. Muitas vezes será necessária uma avaliação prévia sobre as necessidades do grupo para que os problemas ou casos propostos estejam bem sintonizados com o grupo. 

 Justificando a necessidade e utilidade de cada conhecimento 

Adultos se sentem motivados a aprender quando entendem as vantagens e benefícios de um aprendizado, bem como as conseqüências negativas de seu desconhecimento. Métodos que permitam ao aluno perceber suas próprias deficiências, ou a diferença entre o status atual de seu conhecimento e o ponto ideal de conhecimento ou habilidade que lhe será exigido, sem dúvida serão úteis para produzir esta motivação. Aqui cabem as técnicas de revisão a dois, revisão pessoal, auto-avaliação e detalhamento acadêmico do assunto. O próprio professor também poderá explicitar a necessidade da aquisição daquele conhecimento. 

 

Envolvendo Alunos no Planejamento e na Responsabilidade pelo Aprendizado 

Adultos sentem a necessidade de serem vistos como independentes e se ressentem quando obrigados a aceder ao desejo ou às ordens de outrem. Por outro lado, devido a toda uma cultura de ensino onde o professor é o centro do processo de ensino-aprendizagem, muitos ainda precisam de um professor para lhes dizer o que fazer. Alguns adultos preferem participar do planejamento e execução das atividades educacionais. O professor precisa se valer destas tendências para conseguir mais participação e envolvimento dos estudantes. Isto pode ser conseguido através de uma avaliação das necessidades do grupo, cujos resultados serão enfaticamente utilizados no planejamento das atividades. A independência, a responsabilidade será estimulada pelo uso das simulações, apresentações de casos, aprendizagem baseada em problemas, bem como nos processos de avaliação de grupo e auto-avaliação. 

Estimulando e utilizando a Motivação Interna para o Aprendizado

Estímulos externos são classicamente utilizados para motivar o aprendizado, como notas nos exames, premiações, perspectivas de promoções ou melhores empregos. Entretanto as motivações mais fortes nos adultos são internas, relacionadas com a satisfação pelo trabalho realizado, melhora da qualidade de vida, elevação da auto-estima. Um programa educacional, portanto, terá maiores chances de bons resultados se estiver voltado para estas motivações pessoais e for capaz de realmente atender aos anseios íntimos dos estudantes. 

Facilitando o Acesso, os Meios, o Tempo e a Oportunidade 

Algumas limitações são impostas a alguns grupos de adultos, o que impedem que venham a aprender ou aderir a programas de aprendizagem. O tempo disponível, o acesso a bibliotecas, a serviços, a laboratórios, a Internet são alguns destes fatores limitantes. A disponibilização destes fatores aos estudantes sem dúvida contribui de modo significativo para o resultado final de todo o processo. 

Outros Aspectos da Aprendizagem de Adultos 

Adultos não gostam de ficar embaraçados frente a outras pessoas. Assim, adotarão uma postura reservada nas atividades de grupo até se sentirem seguras de que não serão ridicularizadas. Pessoas tímidas levarão mais tempo para se sentirem à vontade e não gostam de falar em discussões de grupo. Elas podem ser incentivadas a escrever suas opiniões e posteriormente mudarem de grupos, caso se sinta melhor em outras companhias. 

O ensino andragógico deve começar pela arrumação da sala de aulas, com cadeiras arrumadas de modo a facilitar discussões em pequenos grupos. Nunca deverão estar dispostas em fileiras. 

Antes de cada aula, o professor deverá escrever uma pergunta provocativa no quadro, de modo a despertar o interesse pelo assunto antes mesmo do inicio da atividade. 

O professor afeito ao ensino de adultos raramente responderá alguma pergunta. Ele a devolverá à classe, perguntando “Quem pode iniciar uma resposta?” (“Quem sabe a resposta?” é uma pergunta intimidante e não deverá ser utilizada). 

O Professor nunca deverá dizer que a resposta de um adulto está errada. Cada resposta sempre terá alguma ponta de verdade que deve ser trabalhada. O professor deverá se desculpar pela pergunta pouco clara e refazê-la de modo a aproveitar a parte correta da resposta anterior. Fará então nova pergunta a outros estudantes, de modo a correlacionar as respostas até obter a informação completa. 

Vimos acima que adultos, após 72 horas, lembram muito mais do que ouviram, viram e fizeram (85%) do que daquilo que simplesmente ouviram (10%). O “Teste de 3 minutos” é um excelente recurso para fixar o conhecimento. Os alunos são solicitados a escrever no espaço de 3 minutos, o máximo que puderem sobre o assunto que discutido. Isto reforça o aprendizado criando uma percepção visual sobre o assunto. 

Adultos podem se concentrar numa explanação teórica durante 07 minutos. Depois disso, a atenção se dispersa. Este período deverá ser usado pelo Professor para estabelecer os objetivos e a relevância do assunto a ser discutido, enfatizar o valor deste conhecimento e dizer o quanto se sente motivado a discutí-lo. Vencidos os 07 minutos, é tempo de iniciar uma discussão ou outra atividade, de modo a diversificar o método e conseguir de volta a atenção. Estas alternâncias podem tomar até 30% do tempo de uma aula teórica, porém permitem quadruplicar o volume de informações assimiladas pelos estudantes. 

 
Conclusão 

Nos Cursos Universitários, geralmente recebemos adolescentes como calouros e liberamos adultos como bacharelandos. Estamos, portanto trabalhando no terreno limítrofe entre a pedagogia e andragogia. Não podemos abandonar os métodos clássicos, de currículos parcialmente estabelecidos e professores que orientem e guiem seus alunos, nem podemos, por outro lado, tolher o amadurecimento de nossos estudantes através da imposição de um currículo rígido, que não valorize suas iniciativas, suas individualidades, seus ritmos particulares de aprendizado. Precisamos encontrar um meio termo, onde as características positivas da Pedagogia sejam preservadas e as inovações eficientes da Andragogia sejam introduzidas para melhorar o resultado do Processo Educacional. 

Precisamos estimular o autodidatismo, a capacidade de auto-avaliação e autocrítica, as habilidades profissionais, a capacidade de trabalhar em equipes. Precisamos enfatizar a responsabilidade pessoal pelo próprio aprendizado e a necessidade e capacitação para a aprendizagem continuada ao longo da vida. Precisamos estimular a responsabilidade social, formar profissionais competentes, com auto-estima, seguros de suas habilidades profissionais e comprometidos com a sociedade à qual deverão servir. Sem dúvida, a Andragogia será uma ótima ferramenta para nos ajudar a atingir estes objetivos.

Comentários»

1. André Luiz Trindade - Maio 28, 2008

A mim, este texto trouxe muitas dúvidas e preocupações.

Até que ponto a andragogia é anarquista? Se o for, não sou contra, mas me pergunto até onde essa “anarquia” é viável e quando ela deixa de ser gerenciável. Posso estar totalmente enganado, mas acho que um movimento anarquista não pode ser tomado como sinônimo de descontrole. Quando se expõe que pessoas aprendendo o que realmente precisam saber é uma contraposição ao dever da aprendizagem do que a sociedade espera que se aprenda, me parece uma forma distorcida de liberdade. Será que eu estou total e redondamente errado e ultrapassado? Desde quando a aprendizagem pela aplicação prática na vida diária passou a ser diferente (e com que contundência?) da aprendizagem seguindo currículo padronizado? O termo “o que a sociedade espera que saibam” é algo contra o que se deva rebelar (como me pareceu sugerir o texto) ou é o fruto de uma cultura e de uma engenharia de conhecimentos que embasam a estrutura técnica do mundo em que vivemos?

Claro que minha visão sobre as coisas da educação é restrita e o texto me sugere que é mais restrita do que eu imaginava. Por exemplo: sempre achei que a pedagogia representasse todo o contexto do processo de ensino, abrangendo a ensinagem e a aprendizagem, em todos os âmbitos, e que as preocupações com métodos focados em adultos e em crianças fossem partes de sua composição. O texto mostra pedagogia e andragogia como contraposições. Não me considero convencido disto. Neste momento, ainda não me acho pronto a aceitar que a riqueza da discussão e da solução de problemas em grupo seja necessariamente diferente (ou, até, descartante) de um processo planejado por assunto ou matéria.

Não consigo concordar, também, com a afirmação que o ensino clássico pode resultar num retardamento da maturidade para a maioria. Não é o que percebo. Aliás, chega, em alguns casos, a ser o inverso do que percebo. No exemplo citado pela Elaine, por exemplo, eu me pergunto se essa postura crítica, que ela tem percebido, fica no limiar da rebeldia pela quebra de paradigma que o curso vem representando ou se chega mesmo onde deveria chegar: numa discussão salutar sobre os conteúdos de conhecimento necessários a suas profissionalizações. Acho que encontramos tanto os que nos ajudam com suas críticas, quanto os que nada contribuem, por só estarem externando suas preocupações com um aumento de exigências que os obriga a algo mais do que apenas assistir aulas.

Acho que o texto provoca uma discussão sobre uma “guerra” de interesses de afirmação, que a meu ver é natural do ser humano em desenvolvimento e sempre existirá, não importa que tipo de solução metodológica venha pela frente. Ao final, em suas conclusões, me parece que o próprio autor concorda que a restrição de foco na contraposição não é um bom referencial.

Acho que devemos extrair, deste texto, o que ele sugere de boas práticas, quais sejam: tirar proveito da experiência dos alunos, propor problemas e novos conhecimentos e sincronizar situações de aprendizagem com a vida real, entre outras. Estas sugestões, ao meu ver, vêm totalmente ao encontro das proposições que já vimos antes.

2. Nilton Zupa - Junho 1, 2008

Métodos Andragógicos tem sido utilizados em empresas de todo o mundo. Os conceitos estão sendo expandidos para a gestão de pessoas, planejamento estratégico, marketing, comunicação, processos de qualidade, etc. Desde simples reuniões até complexos projetos de planejamento estratégico estão seguindo métodos baseados em conceitos andragógicos. As empresas já perceberam as vantagens e rapidamente implantaram programas de formação para transformarem seus funcionários em Facilitadores permanentes dentro da organização.
Sendo facilitadores temos que pensar nos profissionais que estaremos entregando para o mercado de trabalho. Estamos realmente instigando esses alunos para um metodo que facilitara seu desenvolvimento profissional ou estamos nos debruçando em livros, teses antiquados para nos satisfazer?

3. Ismael da Silva - Junho 1, 2008

Quando Linderman afirma: “Nosso sistema acadêmico se desenvolveu numa ordem inversa: assuntos e professores são os pontos de partida, e os alunos são secundários […]” ele tem razão em pensar em um processo centrado no estudante. Qual é a função da escola? Desde a formação das Corporações de Ofícios, da revolução burguesa e da Revolução Industrial a escola profissionalizante é um local de formação de “mão de obra”.
Os currículos engessados têm a finalidade de facilitar a formação do profissional. Quando se fala em o estudante escolher o que quer aprender, concordo como o André, podemos estar diante de algo que pode nos parecer a perda do controle de sua formação. A Andragogia preconiza que os alunos são em sua maioria independentes e, portanto devem ter o controle de seu aprendizado. Como podemos transferir este controle para o aprendiz, como podemos deixar de dizer qual é o conteúdo que ele deve aprender?
Podemos refletir que o problema não está “no que aprender” e sim no “como aprender”.
O adulto aprende melhor fazendo, a tarefa do professor se torna árdua, pois ele tem que conhecer o assunto e conhecer a real utilidade deste conhecimento para a vida “profissional” do aluno (a formação do cidadão não está em questão). A junção do conhecimento do assunto e de sua razão para a vida deve se traduzir em situações em que o aluno possa realizar atividades que revelem estas relações. Para isso devemos, em nossas aulas, desenvolver a autonomia do aluno em buscar os saberes necessários para sua atividade futura, em se auto avaliar. A escola que forma seres passivos não os está preparando para o mundo do trabalho que exige cada vez mais que o “colaborador” seja autodidata, criativo, empreendedor e que consiga trabalhar em equipe.
Quando o autor afirma que: “O setor empresarial, sem dúvida mais ágil que o de ensino, conseguiu difundir muito mais rapidamente vários dos conceitos da Andragogia, mesmo sem este rótulo estabelecido pelo mundo pedagógico”, considero que essa afirmação se baseia no sucesso da “empresa” de ensino profissional – SENAI em que o estudo dirigido e os laboratórios que simulam a situação real de trabalho permitem ao “adestrado” uma boa idéia do mundo do trabalho. Neste caso, o investimento é feito para solucionar uma necessidade bem definida: falta de mão de obra qualificada (a formação do cidadão não está em questão).
E os alunos universitários? Considero que ainda teremos que manter as definições de grade curricular mínima, a orientação para qual o conteúdo deve ser tratado. Mas devemos permitir tenham papel ativo em seu aprendizado que possam desenvolver trabalhos em grupos, incentivar seu crescimento pessoal e “a desenvolver idéias próprias, a desenvolver um método pessoal para estudar, a aprender como utilizar de modo crítico e eficiente os meios de informação disponíveis para seu aprendizado”.

4. Denis Maricato - Junho 2, 2008

Assunto extremante polêmico para alguns, a comparação é improcedente. Educar crianças e adolescentes envolve técnicas pedagógicas formativas, isto é, pretende-se iniciar a pessoa em seu mundo e capacitá-la a resolver problemas, principalmente problemas de inclusão no mundo, na vida concorrencial e na formação profissional, adaptada ao status quo em que vive o educando. O texto já destaca bem a diferença, quando conceitua o adulto como alvo do processo educativo – que não deveria chamar-se assim. O aduto não se educa. O adulto é treinado, readequado, preparado… mas nunca educado.
Paulo Freire é pródigo em suas teorias simples de alfabetização de adultos, ao ensinar comunicação escrita e oral através da experiência e do “que fazer” do ser humano maduro, já trabalhador.
Na verdade, pessoalmente, entendo que as teorias de educação são insuficientes para as crianças, que crescem como cópias mal feitas de nós mesmos (que não somos nada exemplares como transformadores do meio ambiente e do mundo…) e os adultos somente são “reciclados”, também por conta do status quo e das conveniências dos patrocinadores dessa “educação”. Assim, entendo que a discussão é muito interessante e profundamnete necessária, mas precisa avançar para o nível revolucionário, questionador, inovador…
A discussão teórica é fundamental, especialmente porque é crítica, mas precisamos propor novas idéias, jogando no lixo velhos posicionamentos. è provável que, em termos de mudança social, a simples discussão é inútil. É preciso redesenhar o mundo, e o caminho é pela mudança estrutural do processo educativo, seja de crianças, seja de adultos..

5. José Augusto Fabri - Junho 2, 2008

Acredito que a questão que paira sobre todos nós, e também abordada pelo autor de maneira implícita, é a seguinte: O universitário, aquele que chega na FATEC, pode ser considerado um adulto? Quatro fatores me levam a responder negativamente esta questão.1 – Nosso vestibular nos períodos matutino e vespertino é pouco seletivo. 2 – Nossos alunos vêm de um ensino totalmente centrado no professor e no conteúdo. 3 – A formação básica de nossos alunos é de baixa qualidade. 4 – Alguns de nossos alunos, as vezes, não são bem educados. Estes fatores são trados dia-a-dia na universidade por nós, principalmente, nas séries iniciais. Acredito que a transição é feita de maneira gradual, isto é: nas séries intermediárias e nas séries finais, posso trabalhar “andragogicamente”, porém nas séries iniciais devo trabalhar pedagogicamente e inserir mecanismos transitórios. Lembre-se também que a maioria de nossos alunos não trabalham, diretemente, na área e as vezes não conseguem trazer grandes contribuições para a aula, veja só uma experiência feita no sexto ciclo http://engenhariasoftware.wordpress.com/2008/05/28/programadores-sabem-estimar/


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